O Naturismo é uma forma de viver em harmonia com a Natureza caracterizada pela prática da nudez colectiva, com o propósito de favorecer a auto-estima, o respeito pelos outros e pelo meio ambiente.

sábado, 19 de maio de 2012

Plantas: Língua-de-vaca



Fonte
A língua-de-vaca, também conhecida por buglossa, soagem ou chupa-mel é talvez a planta silvestre mais visível na maior parte do país, durante a primavera. Perdão! O que é visível é a mancha azulada ou arroxeada das suas vistosas flores que cobrem os campos cada vez mais incultos de Portugal. Não fora a tristeza de constatar, sem qualquer amanho, terrenos que outrora foram produtivos e certamente ficaríamos felizes por contemplar tanta beleza, digna de figurar nas telas de afamados pintores. “Os olhos também comem!”, diz-nos o aforismo popular e assim vamos espraiando as vistas, esquecendo o estômago, enquanto o panorama não muda.
A Echium plantagineum L. é uma herbácea de bom feitio que medra em todos os terrenos, quer sejam ácidos ou alcalinos, secos ou úmidos, no interior ou à beira-mar. O género echium engloba para cima de 60 espécies, algumas muito parecidas, difíceis de distinguir entre si. A talhe de foice, aproveitemos para mencionar, de entre elas, a elegante Echium candicans, conhecida por “massaroco”, que é endémica da ilha da Madeira. O termo echium deriva do grego “ekios” que significa víbora, dado que a corola e os estames, vistos de perfil, lembram a cabeça de uma víbora com a língua bifurcada. Por sua vez, plantagineum, deve-se à similitude com as plantagos (tanchagens), antes de a planta espigar. E porquê língua-de-vaca? Porque as folhas basais têm o feitio das línguas dos bovinos. Curiosamente, em Espanha, a erva é conhecida por língua-de-boi!
Esta planta, espontânea na europa atlântica e mediterrânica, no norte de áfrica e em partes da ásia, pertence à família botânica das borragináceas, atingindo, se ereta, cerca de 80 cm de altura. Quando a erva é jovem, ela apresenta apenas grandes folhas basais em roseta, mas ao espigar, quase sempre ramifica, florindo nos cimos, mas não em simultâneo, o que a torna muito decorativa durante bastante tempo. Quer o caule, quer as folhas, de cor verde-escura, são cobertas de pelos macios de tamanhos desiguais. As folhas superiores, muito mais pequenas do que as basais, são sésseis. As flores, tubulares, surgem enroladas com corolas compostas por cinco pétalas desiguais. Os frutos formam aquénios, cujas sementes possuem uma considerável dormência, isto é, conservam poder germinativo durante largos anos. Essa é uma das razões que leva muita gente a considerar a língua-de vaca como espécie infestante ou invasora. Tal situação é já preocupante na Austrália onde, pouco a pouco, a planta, que foi introduzida, vai roubando o lugar às espécies autóctones.
Entre os constituintes da língua-de vaca, encontramos mucilagens, tanino, ácido gordo ómega-3 e, em pequena quantidade, um alcaloide tóxico chamado equiina. Essa substância tóxica desaconselha o consumo da planta por animais de trato digestivo simples, como é o caso dos cavalos. Já no que diz respeito aos bovinos, não apresenta problemas.
A erva é melífera e tem propriedades emolientes e adstringentes, sendo considerada medicinal.
 “Usa-se para combater hemorragias pulmonares e disenterias. Recomenda-se para conter as palpitações cardíacas, tomando-se ao deitar e durante dias consecutivos, o suco da planta com um pouco de açúcar. Também o xarope é recomendado para os que padecem de melancolia.” Isto diz-nos o professor catalão Pio Arias-Carvajal na sua obra “Plantas que Curam, Plantas que Matam”.
Outros autores mencionam o uso do suco em cosmética, como emoliente para peles delicadas, as cataplasmas das flores frescas para debelar furúnculos e o óleo das sementes, cuja constituição é similar à do óleo de peixe, com níveis baixos de triglicéridos, para diversas aplicações curativas.
Claro está que estas indicações são, hoje em dia, apenas meras curiosidades de outrora, pois o avanço laboratorial da medicina encontrou soluções mais práticas, embora menos naturais, para tratar das enfermidades. Diga-se, para terminar, que nesta sociedade capitalista em que nos é dado viver, por vezes, as soluções laboratoriais encontradas pela medicina alopática privilegiam os lucros muito acima das razões curativas dos citados medicamentos.  

Texto:
Cortesia de Miguel Boieiro

Foto
Cortesia de Plantas e Flores do Areal - Endemismos de Portugal
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