O Naturismo é uma forma de viver em harmonia com a Natureza caracterizada pela prática da nudez colectiva, com o propósito de favorecer a auto-estima, o respeito pelos outros e pelo meio ambiente.

domingo, 31 de agosto de 2014

NATURISMO EM PORTUGAL: 30 Anos depois (1977 - 2007)

Hoje recuperamos um momento da história do naturismo em Portugal, um artigo online reencontrado na pagina da FEN (Federação Espanhola) que permite ampliar o acervo da FPN, recordar as comemorações do 30º Aniversário da Federação Portuguesa de Naturismo e enaltecer o trabalho, dedicação e empenho de todos os Companheiros que tornaram esse dia possível.

Com o contributo e trabalho realizado por muitos naturistas anónimos, associados a nomes que fazem parte da história do naturismo em Portugal como Pedro Geraldes Cardoso, Laurindo Correia, Pedro Mota,  Luís Eleutério , Rui Martins, entre outros Companheiros, pelo forte contributo dado à  Federação Portuguesa de Naturismo e ao naturismo em Portugal em diversas etapas do percurso associativo.

O trabalho e o contributo de todos os que desde 1977 até aos nossos dias passaram pelos Corpos Sociais da FPN aliado a todos Companheiros que ao longo destes anos foram portadores de Cartão de Naturista permitiram em conjunto com todos os Naturistas de Portugal a divulgação, promoção e desmistificação do Naturismo, construindo desta forma uma realidade na qual hoje em dia as Nuticias sobre a nossa causa são recorrentes nos órgãos de comunicação social, parte de programas de televisão e investimentos concretizados por empresários de norte a sul do país.

A todos o nosso bem haja.

NATURISMO EM PORTUGAL: 30 Anos depois


Passaram 30 anos sobre a data da fundação da Federação Portuguesa de Naturismo. 

Nascida a 1 de Março de 1977 pela vontade de um pequeno grupo de utilizadores nudistas das praias do Meco e da Bela Vista (ao sul de Lisboa), muitas foram as dificuldades a superar para afirmar o Movimento Naturista.

Depois do renascimento da Democracia política e social em Portugal, ocorrida 3 anos antes, a 25 de Abril de 1974, foi possível aos naturistas organizarem-se para dar corpo a uma firme vontade de contribuírem para legalizar a prática nudista clandestina em Portugal.

Apesar da abertura política, não foi fácil a batalha pelo reconhecimento político, social e cultural dos valores que o naturismo representa e nos quais a prática nudista se constitui como a expressão mais polémica.

Muitas batalhas jurídicas foram travadas, muitas barreiras foram sendo desfeitas e a afirmação do naturismo em Portugal foi dura, difícil e controversa, mas logrou não manter-se viva e constante.

Nos últimos 5 anos (2002 a 2007), foi possível concretizar metas importantes e lançar as bases para uma afirmação ainda mais consequente e digna para aqueles que partilham um estilo e prática de vida, inspirada nos valores tradicionais do naturismo.

Portugal viu nascer mais dois campings naturistas – Quinta das Oliveiras e Monte Naturista “O Barão” e duas novas “guest-house” – Quinta da Vista e Naturest. 

A FPN conseguiu legalizar oficialmente para o naturismo, duas praias no litoral do Alentejo e Algarve – Praia do Salto, a sul de Sines e Adegas a norte de Aljezur.

A Federação Portuguesa de Naturismo conseguiu organizar um horário naturista num SPA/Health Club num Hotel de Lisboa, onde uma vez por mês, e durante duas horas, os naturistas podem usufruir de Sauna, Ginásio, Banho Turco, Piscina e, brevemente, Jacuzzi.

Finalmente, no passado dia 24 de Março (2007), a FPN inaugurou a sua sede social em Lisboa, espaço que virá colmatar alguma deficiência organizativa e proporcionará um espaço de convívio. 
Laurindo Correia 

Nela ficará instalada uma secretaria para apoio aos associados, uma mediateca com revistas e vídeos naturistas, e todo o seu arquivo histórico.

O Aniversário foi comemorado com muita alegria, na presença de mais de sete dezenas de associados e iniciou-se com um almoço de convívio a que se seguiu a inauguração da sede com um “Porto de Honra” e Bolo de Aniversário, para além de um conjunto de discursos por parte de fundadores, antigos dirigentes, responsáveis pelos núcleos e clubes federados e, ainda, do Ismael Rodrigo, presidente da FEN – Federação Espanhola de Naturismo.

Na ocasião, o presidente da FPN, Laurindo Correia, afirmou:

A “nossa revolução naturista” não é passível de um “golpe de estado” como o foi a Revolução do 25 de Abril. O êxito da “nossa revolução” será essencialmente fruto da nossa própria maturidade naturista e do nosso envolvimento na sua assunção e permanente defesa e divulgação. 

Só o nosso testemunho, no dia a dia, poderá gerar uma alteração na mentalidade e no costume dominantes, numa sociedade assente no conceito “maniqueista” do bem e do mal, onde a influência judaico-cristã por um lado e, por outro, a exploração da imagem da nudez para fins comerciais que, no caso da pornografia atinge, bastas vezes, a própria dignidade do ser humano - particularmente a da mulher - constituem em si mesmo, as duas faces de uma mesma moeda.

Pelo contrário, o Naturismo pretende afirmar a harmonia e o bem-estar resultantes da aceitação integral e natural de todo o nosso corpo, sem excepções motivadas pela negação de alguma ou algumas partes, particularmente das que resultam como sinais visíveis, mas naturais da nossa sexualidade, sem que, contudo, assumam qualquer carácter voyeur e exibicionista.

A naturalidade da nossa postura é, assim, condenada por uns à clandestinidade, com base em conceitos subjectivos de moralidade e, por outros, explorada de forma que raia a indignidade.

Ambos nos combatem por saberem que no dia em que a “nossa revolução” vencer e a nudez humana for olhada com a naturalidade que lhe é devida, caiarão por terra os pressupostos em que cada um desses sectores da sociedade assenta as suas teses e as suas bases de actuação.

Uns numa concepção “pseudo-moralista de castidade”, outros pelo aproveitamento da curiosidade recalcada, desfocada e distorcida pela ansiedade e transformada, tantas vezes, numa cega obcessão.

Ambos estão, assim, longe da saudável harmonia de um corpo são em mente sã como nós sempre defendemos.

O Naturismo é uma filosofia de vida que abarcará vários conceitos e estará presente em muitos factores que influenciam o nosso bem estar. 

Contudo, entendemos que a prática naturista só se completa na livre prática da nudez. 

Só um conjunto de práticas saudáveis em que a nudez assuma a sua integral presença podem dar substância à harmonia que defendemos entre corpo e alma, entre o físico e o psíquico.

A nudez natural, a nossa nudez, assumida livre e colectivamente, é factor de elevação psico-social do género humano, e contribui, a nosso ver, para uma melhor compreensão e interacção na nossa relação com o meio ambiente, particularmente com a Natureza, constituindo, no seu conjunto, um eixo fundamental do Movimento Naturista.

Ao longo da nossa história, verificou-se que muitos dos pressupostos e atitudes do Naturismo estavam correctos e foram sendo aceites com naturalidade pela sociedade. 

Mas já a prática da nudez permanece, infelizmente, como um assunto que já não direi tabú, mas, ainda, susceptível de criar dúvidas, gerar polémicas e constrangimentos. 

É, por isso, necessário continuar a Dignificar a Nudez, entendida esta, também, não só como uma liberdade, mas mesmo, como um direito inalienável e inerente à nossa própria condição humana, já que, não nascemos vestidos.




Depois da sede, os participantes dirigiram-se ao Hotel Villa Rica onde teve lugar mais uma sessão naturista no SPA/Heath Club com Sauna, Ginásio, Piscina, Banho Turco.

A Federação Portuguesa de Naturismo colocou, também, nesse dia, a sua nova web em www.fpn.pt e que marca uma nova imagem junto da opinião pública.

Laurindo Correia, 2007.
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